Aos 94 anos, Maria Albertina Monteiro traz consigo a sabedoria de uma vida pautada pelo afecto e pela partilha. Residente na DomusVi Júlio Dinis, no Porto, a sua história é um verdadeiro testemunho de empatia e da forma como as relações humanas podem transcender fronteiras e gerações.

Viúva há 13 anos, Maria Albertina sentiu, a dada altura, que o silêncio da sua casa precisava de ser preenchido. Após algumas experiências para encontrar companhia, descobriu a harmonia perfeita através da associação “O Aconchego”, que colabora com a Câmara Municipal do Porto. Sem hesitar, abriu as portas do seu lar — e do seu coração — a estudantes universitários estrangeiros que se encontravam a tirar o mestrado em Portugal.
Ao todo, acolheu cinco rapazes oriundos de Cabo Verde, Brasil e Angola. Recebeu um de cada vez, em estadias que duravam cerca de dois anos. O acordo era simples, mas carregado de significado: em troca de dormida e do tratamento da roupa, Maria Albertina ganhava a companhia e a juventude de que tanto precisava. A ligação tornou-se tão forte que estabeleceram um doce “contrato”: os estudantes teriam de a tratar por “avó”.
“Foi uma ajuda muito boa e agradável para mim. Dei-lhes todo o meu amor”, recorda com ternura, acrescentando que chegou a conhecer as famílias de quase todos os jovens. Hoje, esses “netos” de coração continuam a fazer parte da sua vida, telefonando com regularidade e visitando-a sempre que viajam até ao Porto.
Apesar de a vida lhe ter trazido adversidades, Maria Albertina mantém o sorriso sereno graças ao pilar incontornável que é a sua família. Refere que o seu filho e a sua nora são a sua grande âncora. Mesmo a viver em Lisboa, são “incansáveis”. A cada quinze dias viajam para a abraçar, assumindo também o cuidado de lhe marcar e lembrar as consultas, colmatando os pequenos esquecimentos próprios da idade. “Estão sempre atentos à minha situação e agradeço-lhes muito por isso”, sublinha, emocionada com a dedicação carinhosa de ambos.

A escolha de fazer da DomusVi Júlio Dinis a sua nova morada foi um processo ponderado. Depois de visitar várias unidades de cuidados, a decisão tornou-se clara e foi tomada em sintonia com a família. Para além das excelentes referências dadas pela sua prima, Maria do Céu Robalo — que já residia na Unidade —, o ambiente que sentiu logo na primeira visita conquistou-a.

Hoje, aos 94 anos, Maria Albertina recebe o cuidado que sempre dedicou aos outros. Sobre a sua rotina na DomusVi, é perentória e feliz nas suas palavras: “Sinto-me bem aqui, com carinho e amor, e profissionalmente sou bem tratada”. Uma prova bonita de que, tal como aconteceu na sua própria casa, também na DomusVi Júlio Dinis o afecto é sempre a melhor companhia.